3 de abril de 2024

O CONSELHO DAS ÁGUAS: UMA VIAGEM E UMA DECISÃO

ESTE CONTO É UMA NARRATIVA LONGA E FICTÍCIA, UMA HISTÓRIA ESPECIAL QUE IRÁ CATIVAR SUA IMAGINAÇÃO.


Amanheceu em Monte Verde, marcando o início do primeiro dia completo da nossa estadia na cidade. Ao despertar, percebi que Jean ainda dormia serenamente na cama. Os raios de sol penetravam suavemente pela cortina, banhando o quarto em uma luz dourada.

Enquanto eu contemplava a serenidade do momento, algo tocou minha mão direita. Ali, no meu dedo anular, repousava um anel, uma aliança dourada e larga. Surpreendida e comovida pela apaixonada intenção de Jean, ergui a mão para examinar o detalhe, notando em seguida que ele também usava uma aliança idêntica, enquanto descansava adormecido ao meu lado.

Ao despertar com aquele presente silencioso em minha mão direita, o amanhecer em Monte Verde não apenas marcou o início de um novo dia, mas simbolizou o compromisso mais profundo e genuíno entre nós.

A melhor maneira que pensei para acordar meu namorado foi acordá-lo com carícias íntimas. Era minha forma carinhosa de dizer: "Estou aqui para você." Então, delicadamente, afastei o edredom, pois estávamos nus após a noite de amor anterior. Me aproximei de seu membro, que repousava serenamente, assim como Jean, e o envolvi com meus lábios, acariciando-o suavemente, explorando cada centímetro com ternura. Era como degustar um doce saboroso, chupando e acariciando aquele cogumelo rosado, entregando-me completamente ao momento de intimidade.

Eles reagiram à minha investida, Jean acariciando meus cabelos enquanto seu membro endurecia dentro da minha boca, respondendo ao prazer que eu lhe proporcionava exatamente como eu desejava. Até sentir o líquido pré-ejaculatório escorrer na ponta de seu membro.

Jean me interrompeu enquanto o tocava, puxando-me para cima e deitando-me na cama. "Acordou com vontade, foi isso, meu amor?" indagou. Balancei a cabeça negativamente e respondi: "Estou apenas retribuindo o presente!" Estendi minha mão direita, cujo anel dourado brilhava com o reflexo dos raios de sol que passavam pela cortina.

"Ah, é isso?" Ele disse com um largo sorriso. "Não posso deixar minha mulher sem um sinal de que ela tem um homem..." Ele acrescentou com um olhar profundo, referindo-se à aliança. "Adorei", respondi, meu coração pulsando de felicidade diante daquele gesto significativo. Então, Jean surpreendentemente fez uma pergunta que acelerou ainda mais os batimentos do meu coração: "Quer se casar comigo?"

A alegria do momento foi ofuscada pela sombra da realidade que pairava sobre nós. "Bigamia é crime, meu amor, e você já é casado", levei a mão ao peito, como se esse gesto pudesse acalmar o tumulto interno. A resposta era complexa, pois a felicidade do pedido estava entrelaçada com as complicações éticas que enfrentávamos. Um breve silêncio se fez presente antes de eu proferir com suavidade: "Não podemos, Jean. Mas isso não diminui o valor do que compartilhamos."

"Sem o menor pudor, ele abriu minhas pernas e se dirigiu à minha bocetinha. Eu pensei que seria apenas uma carícia oral, mas ele envolveu meu clitóris com determinação, enquanto inseria um dedo em mim. Meus gemidos eram genuínos e intensos. "Isso, gostoso, me chupa assim, mais..." Sua língua explorava meu ponto mais sensível com avidez, e as sensações me instigavam, despertando um desejo por um encontro carnal intenso. Não queria apenas 'fazer amor'; desejava uma experiência intensa e apaixonada, que deixaria minhas pernas trêmulas e meu corpo extasiado."

Ele se ergueu, percorreu meu corpo com suas mãos, deslizando sua ereção pela parte externa da minha bocetinha com carinho. Quando eu estava prestes a implorar: "me possua!", ele penetrou com suavidade, fazendo-me sentir cada centímetro de sua excitação até que seu corpo encontrou o meu, iniciando um ritmo que me pegou de surpresa. Incapaz de conter um gemido de prazer, fui envolvida por uma onda avassaladora de desejo, sentindo minha alma se perder naquele momento de entrega total.

Jean parecia ter percebido meu desejo e começou a me penetrar com vigor. Cada movimento era delicado, mas firme, como um afago íntimo. O prazer era tão intenso que logo senti ondas de eletricidade percorrendo meu corpo. Perdi o controle, tremendo enquanto minhas coxas se moviam contra o corpo dele. Uma sensação de liberação se espalhou quando um líquido escapou de mim, enquanto o orgasmo sacudia meu corpo de forma intensa, mas prazerosa. Era uma experiência incrível, verdadeiramente maravilhosa.



Ainda estávamos nesse momento de intimidade, quando fomos surpreendidos pelo telefone que tocou, nos retirando do nosso estado de entrega mútua. "Alô!" Jean atendeu, se mantendo  em mim. "Sim, quanto tempo levará para servirem?" Ele continuou, enquanto sua ereção pulsava dentro da minha bocetinha, causando-me um prazer intenso. Ele não deixou que telefonema interrompesse abruptamente o nosso momento de conexão, ele continuou falando com alguém ao telefone enquanto 'fazia amor' comigo. "Por favor, envie o café em meia hora, minha esposa ainda está dormindo. Vou deixar a porta do andar de baixo aberta enquanto nos preparamos para descer..." ele disse.

Olhei diretamente em seus olhos, que encontraram os meus. Tudo o que eu desejava era ser sua esposa, ser a mulher dele. Jean continuou: "Sim, por favor, adicione uma porção extra de ovos mexidos e bacon, e para beber, ah... quero café preto e chocolate quente. Minha esposa prefere leite com chocolate." Houve uma breve pausa enquanto ele ouvia a pessoa do outro lado e então disse: "Perfeito! Mal posso esperar para saborear essas delícias que vocês estão preparando para nós." Após mais algumas palavras da pessoa do outro lado do telefone, ele concluiu: "Eu que agradeço! Muito obrigado!". Ao desligar o telefone, senti uma onda de prazer percorrer meu corpo, lutando para conter qualquer som de satisfação que pudesse escapar e a pessoa com quem ele conversava me ouvir gemer.

Jean desligou o telefone e o colocou no lugar, mantendo sua ereção dentro de mim. Ele retomou as estocadas, levando-me novamente ao limiar de um terceiro orgasmo matinal, desta vez acompanhado pelo deleite do dele, que me deu três jatos de prazer. "Adoro quando gozamos juntos!" disse, demonstrando seu prazer para mim.



Jean, antes de terminar, de forma carinhosa, iniciou algumas estocadas, renovando nosso momento íntimo. Logo após, ele me preencheu com seu gozo, marcando uma segunda ejaculação matinal que se seguiu ao orgasmo anterior, proporcionando-me um prazer inédito. Experimentar dois orgasmos masculinos sem que ele retirasse sua ereção de dentro de mim foi uma experiência única. Desta vez, os gemidos de Jean foram tão intensos que ultrapassaram qualquer prazer anterior, elevando minha satisfação a um nível ainda mais profundo do que a sensação física do calor dentro de mim.

Após alcançar o orgasmo pela segunda vez, Jean se deitou ao meu lado, ainda ofegante. Nossas mãos se encontraram e os dedos se entrelaçaram, como um gesto de união e amor mútuo. Alguns instantes depois, ele mencionou: "Preciso ir até a entrada para destrancar a sala e permitir que sirvam nosso café da manhã...", sua respiração ainda pesada. "Então, levante-se e vá lá... eu vou preparar nossos banhos", respondi prontamente.

Ele se levantou, vestiu uma bermuda e foi até a sala para abrir a porta. Enquanto ele cuidava disso, eu verifiquei os danos físicos após nossa atividade sexual. Depois, me levantei, escolhi a roupa que usaria e separei o material necessário para o trabalho do dia seguinte. Arrumei as toalhas e organizei o banheiro para um banho matinal ao lado do meu namorado.

Abri o chuveiro e entrei debaixo da água fria, que gradualmente foi esquentando até se tornar agradável, envolvendo-me em uma sensação de prazer por um banho revitalizante. Enquanto ensaboava meu corpo, refletia sobre tudo o que estava acontecendo, sentindo-me grata pelo presente que havia recebido: uma aliança que parecia genuinamente de ouro, uma declaração de amor de um homem que me trazia muita felicidade.

As lágrimas de felicidade escorreram pelo meu rosto, mesclando-se com a água do chuveiro. O prazer do calor reconfortante do banho se entrelaçava com a sensação de realização que eu experimentava. Saber que ele me amava me enchia de alegria, especialmente por compreender que esse sentimento não era apenas físico, mas genuíno.

Senti sua presença antes mesmo de entrar no banheiro. Ouvi a porta do quarto se fechar, seus passos até o banheiro, o barulho do box se abrindo e depois fechando, e então ele me abraçou pelas costas. Foi uma sensação incrivelmente íntima. Não precisávamos de palavras, éramos só nós dois debaixo do chuveiro.

Depois do banho, ele saiu primeiro do box, me ajudou a pegar a toalha e depois nos vestimos no quarto. Tenho certeza de que ele não percebeu, mas eu o observei enquanto se vestia, sentindo um desejo crescente. Seu corpo não era perfeito, mas era belo e me envolvia com sensações deliciosas. Além disso, sua elegância ao se vestir era cativante, demonstrando sua sofisticação em cada gesto.

No primeiro dia, seria apenas uma cerimônia de abertura com apresentações, onde os presidentes dos conselhos dariam discursos. Jean falaria no lugar do Sr. Lionel. Para a ocasião, eu vestiria um elegante vestido verde escuro, simples mas que me conferia elegância, e sandálias de salto alto para manter uma postura adequada no evento. Jean, por sua vez, estava muito elegante em um terno sob medida, usando um colete por baixo do blazer e uma gravata verde oliva que combinava com meu vestido. Embora não tivéssemos combinado previamente, novamente as cores se harmonizavam, assim como no congresso em Recife.

Descemos para a sala do chalé, onde desfrutamos de um delicioso café da manhã juntos. Fiquei encantada com a abundante e bela mesa de café preparada pelo hotel. Conversamos enquanto saboreávamos ovos mexidos, café e chocolate quente. Aproveitei cada momento, ciente de que teríamos um dia longo pela frente sem outra refeição garantida, e eu não queria depender apenas de um café com um biscoito.

Naquele dia, sabia que enfrentaríamos um trabalho mais intenso do que nos dias do Congresso em Recife. Jean estava programado para fazer um discurso em nome do Sr. Lionel, o que nos sujeitaria a muito assédio. No entanto, Jean estava bem orientado e sabia como lidar com essa situação.

Naquele dia, durante o evento no Fórum Estadual, repleto de discursos e desafios, Jean brilhou no palco representando o Sr. Lionel, transmitindo suas ideias de maneira eloquente.

"Como todos sabemos, a água é um recurso fundamental para a vida em nosso planeta. No entanto, muitas vezes é tratada de forma negligente, desperdiçada e até motivo de conflitos e guerras. Essa realidade alarmante requer nossa atenção imediata. Devemos compreender que a água não é apenas um recurso natural, mas sim um bem precioso que deve ser preservado para o bem de todos e das gerações futuras. É vital para a sobrevivência dos seres vivos e o equilíbrio dos ecossistemas. Portanto, é imperativo que este evento aumente a conscientização sobre a escassez e a importância da água, além de impulsionar iniciativas em prol daqueles que sofrem com sua falta. Devemos agir urgentemente para garantir o acesso à água potável para todos, promovendo práticas sustentáveis de uso e preservação. Que cada um de nós se comprometa a ser parte da solução. Trabalhemos juntos para um futuro onde a água seja valorizada e disponível para todos, hoje e para as gerações futuras. Obrigado." Jean disse, sendo aplaudido de pé pela plateia.

Eu mesma não consegui conter minha empolgação, sendo uma das que aplaudia com mais entusiasmo. Sua voz rouca, porém confiante, conferiu ao discurso uma aura de tranquilidade em meio à gravidade do assunto.

Após o almoço, fomos convidados para uma reunião, que envolveu momentos tensos com as 'três Marias', como chamávamos Maria Laura, Joana e Vânia. Maria Laura parecia especialmente interessada em Jean, o que não me agradava. Em determinado momento, apertei a mão de Jean com força, demonstrando minha irritação com a situação.

No caminho de volta ao hotel, senti alívio por estar retornando. Não aguentava mais a falsidade daquelas três mulheres. Eu apenas ignorava uma mulher mais velha que estava flertando com meu namorado bem na minha frente. Porém, chegava à conclusão de que, após aquele discurso, eu me apaixonaria por Jean, se já não estivesse apaixonada por ele.

Deslizando os sapatos, reflito sobre suas palavras e a importância da água para a humanidade. O tema e sua relevância ecoavam não apenas em Minas Gerais, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo.

Ambos trocamos de roupas, vestindo algo mais leve para desfrutar de uma noite relaxante e revigorante após um dia cansativo. Finalmente, tive a chance de conversar com Jean sobre o discurso, que me pegou de surpresa e me deixou impressionada.

Na varanda do chalé, com vista para uma piscina privativa sob o luar e o frio da noite, abrimos uma garrafa de vinho para aquecer nossas almas. Uma pizza deliciosa completava nosso jantar improvisado. Sentados juntos, contemplamos a lua cheia, cuja luz prateada transformava a paisagem de Monte Verde em pura magia.

Um sorriso de Jean trouxe uma sensação de tranquilidade, como se nada mais importasse naquele momento. E era verdade, especialmente considerando que enfrentaríamos o julgamento daqueles que não desejavam ver nosso amor prosperar.

O frio da noite perdeu importância diante do calor da nossa união. Falamos sobre os desafios do dia, rimos das situações engraçadas e, aos poucos, as preocupações foram se dissipando. O tempo voou, mas pareceu esticar-se para nos permitir aproveitar aquela ligação especial.

Enquanto compartilhávamos a última fatia de pizza e a garrafa de vinho ia se esvaziando, a luz da lua iluminava nossa ligação. Os momentos de tranquilidade na varanda, sob as estrelas de Monte Verde, tornaram-se memoráveis em nossa história. Naquele instante, éramos mais do que Jean e Karina; éramos dois corações que encontraram conforto um no outro, mesmo que o futuro reservasse desafios.

Após verificar o relógio, que indicava a necessidade de descanso para os compromissos do dia seguinte, era hora de nos recolhermos. Optamos por não nos envolver de forma íntima dessa vez. Sabíamos que teríamos um dia de trabalho pesado pela frente, com vistorias que exigiam repouso. Jean fechou todas as janelas do chalé, garantindo total privacidade. Nos despirmos e nos deitamos sob cobertas que nos aqueciam, na cama confortável. Rapidamente adormecemos, entregando-nos ao sono profundo.

Na manhã seguinte, fomos acordados pelo toque persistente do telefone. Era a equipe da recepção, educadamente nos informando que o café da manhã seria entregue em nosso chalé. Seguimos nossa rotina usual: Jean desceu para receber a entrega, enquanto eu esperava na cama.

Neste dia, invertemos a sequência do dia anterior e começamos com o café da manhã. Após a refeição, tomamos um banho juntos. A água quente nos envolveu, proporcionando uma sensação revigorante. Nos preparamos para o árduo dia de trabalho e, depois de nos vestirmos, nos sentimos prontos para enfrentar o segundo dia do Fórum Estadual.

Descemos para o local do evento, preparados para encarar as discussões e desafios que estavam por vir, com energia renovada para mais um dia produtivo e cheio de compromissos. Estávamos determinados a enfrentar tudo de frente, unidos como sempre.

Após o dia de trabalho, foi confirmado que o último dia do fórum teria apenas atividades pela manhã. Isso possibilitaria que os participantes aproveitassem a tarde para explorar turisticamente Monte Verde. À noite, estava programado o coquetel de encerramento, oferecendo uma oportunidade para relaxar após as discussões intensas.

Durante o caminho de volta ao hotel, no carro, Jean compartilhou uma preocupação. O indivíduo que havia me assediado em Recife estava presente no evento, e ele o havia avistado. Recordamos juntos o momento tenso em que aquele homem tentou me forçar a dançar, e Jean, em minha defesa, agiu com determinação. "Se não fosse por aquilo, talvez não tivéssemos nos envolvido de verdade", ele refletiu. 

Jean colocou sua mão sobre minha coxa, os dedos afagando suavemente meus joelhos e expressou então sua gratidão: "Sou eternamente grato por isso. Maria Laura não me daria sossego naquele congresso." Coloquei minha mão sobre a dele e comentei: "Ela é uma mulher estranha, mesmo sendo tão bem-sucedida, age dessa forma. Deveria encontrar um namorado jovem para satisfazer suas vontades... se for o caso. Reparou que, mesmo depois de nos assumirmos, ela continuou flertando com você?" 

Jean riu do meu comentário e concordamos que se o sujeito estivesse no coquetel, para evitar problemas e constragimento, cumprimentaríamos todos educadamente e sairíamos discretamente. "Será bom aproveitar um tempinho extra, só nós dois, por aqui", ele concluiu.

Passamos aquela noite sem fazer amor, pois estávamos exaustos do trabalho nas vistorias. No dia seguinte, a rotina se repetiu, com o mesmo trabalho, apenas em um local diferente. O mesmo ocorreu no quarto dia, com a diferença de que Jean e eu participamos de eventos separados. Ele foi à reunião dos líderes dos conselhos, mais uma vez representando o Sr. Lionel.

No quinto dia, após o almoço, fomos até a vila de Monte Verde para explorar tudo o que havia para ver. Foi uma tarde agradável de passeio, embora tenhamos sentido que estávamos sendo observados pelas "três Marias" o tempo todo. "Essas mulheres são tão chatas e mal-amadas. Elas simplesmente não nos dão sossego!", comentei. Jean então respondeu: "Elas estão com inveja da sua felicidade!"

Retornamos ao hotel depois do passeio e de termos comprado alguns souvenirs. Nos preparamos para o coquetel, ambos usando nossas alianças, um sinal visível de nosso compromisso. Jean vestia o mesmo terno do primeiro dia, mas com uma camiseta de manga longa por baixo do blazer e sem o colete. Eu estava com um lindo vestido vermelho que comprei especialmente para o evento. Entramos no salão onde o evento estava acontecendo e logo percebi os olhares das "Três Marias", suas expressões maliciosas focadas principalmente em nossas alianças de compromisso, como se duvidassem de nossa felicidade.

Conversamos com alguns conhecidos e colegas, trocando cumprimentos e mantendo uma postura profissional. Maria Laura, como esperado, não perdeu a chance de lançar olhares provocativos para Jean, parecendo ignorar completamente nossas alianças. Ela se aproximou com um sorriso falso, seus olhos cheios de malícia.

Contudo, o teste real surgiu quando aquele homem de Recife, que nos trouxera tanto desconforto, compareceu ao evento. Ele se aproximou de mim, ignorando por completo a presença de Jean ao meu lado. Senti meu corpo tenso, porém Jean permaneceu calmo e controlado. Ele posicionou-se entre nós, sem demonstrar hostilidade, mas deixando claro que eu não estava desamparada.

O homem tentou iniciar uma conversa, mas Jean interveio de maneira educada, desviando o assunto para questões profissionais e impedindo-o de continuar falando. A presença das alianças em nossos dedos parecia deixá-lo desconfortável. "Amigo, me desculpe pelo ocorrido..." ele começou a dizer para Jean, mas foi interrompido por ele, que respondeu: "Está tudo bem, já passou." O homem logo se afastou, procurando outros convidados para interagir. O tom de voz de Jean mostrava que ele estava pronto até mesmo para retomar a luta que ocorreu em Recife.

Após esse episódio, decidimos sair do evento. Cumprimentamos todos os presentes, incluindo as "Três Marias", e saímos discretamente. No caminho de volta ao chalé, senti um grande alívio por ter Jean comigo, me sentia segura ao seu lado em meio às tensões e desafios daquela noite. O calor reconfortante de sua mão segurando a minha transmitia a sensação de que, juntos, poderíamos superar qualquer obstáculo que viesse em nosso caminho.

Fechei os olhos, mergulhando em pensamentos profundos, quando uma sensação estranha me envolveu. Diante dos olhos fechados, como se projetada por uma força misteriosa, vi a imagem da carta "O Caminho" como um devaneio. Aquela representação simbólica do destino me fez perceber que o momento da escolha se aproximava, e as palavras de Jean naquela manhã, quando ele me propôs casamento, ecoavam em minha mente como um sinal da decisão iminente. Estava difícil para mim decidir.

Ao apertar a mão de Jean, resolvi fazer uma pergunta imaginária, uma espécie de exercício mental para entender melhor meus desejos. Eu tinha um apartamento em Fortaleza, uma chance de emprego e a opção de mudar para lá. Propus a Jean: "E se decidíssemos ir embora juntos? Deixar para trás tudo isso, nossos trabalhos, esta vida, e viver nosso amor em outro lugar?" Minhas palavras, ditas enquanto íamos para o chalé onde estávamos hospedados, iriam influenciar nossas escolhas futuras. Esperava uma resposta que me ajudasse a decidir mais facilmente.

Jean ficou em silêncio por um momento, seus olhos refletiam uma mistura de reflexão e desejo. Sua expressão revelava uma variedade de sentimentos enquanto ponderava sobre a proposta ousada que eu havia feito. Finalmente, um sorriso gentil apareceu em seus lábios, e seus olhos encontraram os meus com afeto. Qual seria sua resposta? Era isso que eu aguardava ansiosamente.

"Karina," começou ele, sua voz transbordando sinceridade, "eu adoro a ideia de estarmos juntos, longe de tudo isso. No entanto, precisamos ser realistas e considerar as consequências e responsabilidades que temos. Fugir pode parecer tentador, mas também devemos encarar a realidade."

Ele segurou minha mão com firmeza mais uma vez, transmitindo conforto. "Mas não podemos ignorar que temos algo único. Vamos encarar os desafios de frente, juntos. Não precisamos fugir para encontrar a felicidade. Podemos construir nosso caminho aqui mesmo, enfrentando o que vier, de mãos dadas."

As palavras dele, equilibradas e práticas, ressoaram em meu coração, trazendo uma sensação de paz e confiança. Estávamos diante de uma decisão importante, mas com Jean ao meu lado, parecia que qualquer direção que tomássemos seria a correta. Enquanto a S-10 avançava pela estrada de cascalho em direção ao hotel, fiquei pensando sobre isso, enquanto meus sentimentos por ele se misturavam com as reflexões sobre nosso futuro juntos.

A postura firme e decidida de Jean ao responder minha pergunta me levou a tomar a decisão sugerida pela carta "O Caminho", conforme indicado pela cartomante. Um arrepio percorreu minha espinha, confirmando que estávamos seguindo o caminho certo. Alisei a aliança em minha mão direita com o polegar, mantendo a mão esquerda ao alcance de Jean, que dirigia rumo ao chalé. Minha escolha foi influenciada pela resposta clara do homem que confundia meus sentimentos, que me fazia duvidar mesmo quando tinha certeza e temer o futuro ao seu lado.

O caminho que tínhamos pela frente parecia difícil, mas saber que estávamos juntos nessa jornada me enchia de esperança. Olhei para Jean, seus olhos concentrados na estrada, e sorri, sentindo uma gratidão profunda por estarmos conectados e nos entendendo tão bem. A aliança não era apenas um compromisso, mas o começo de uma jornada que íamos fazer juntos, guiada pelo amor que tínhamos um pelo outro.

No quarto do chalé, eu sabia que aquela seria nossa última noite lá. Então, sugeri a Jean: "Que tal recriarmos aquela noite em que chegamos? Foi tão especial!" Ele concordou, transmitindo-me tranquilidade.

Enquanto eu arrumava a mesa dentro do chalé, devido ao frio, Jean acendeu a lareira e fez um pedido especial para nós. Ele escolheu preparar uma carne bovina com batatas fritas e um fondue de chocolate, acompanhado por queijos e frutas frescas. O jantar estava delicioso, e a atmosfera ao redor da mesa aquecia nossos corações.

Após a refeição, olhei nos olhos de Jean e sugeri: "Que tal tomarmos um banho juntos na banheira de hidromassagem?" A ideia parecia ideal para finalizar nossa estadia no chalé com um toque de romance e intimidade. Ele sorriu concordando, e enquanto a água quente da hidro abraçava nossos corpos, senti uma profunda gratidão por cada momento compartilhado com ele durante essa escapada. Era o desfecho perfeito para uma jornada que, dali em diante, seguiríamos juntos.



Desta vez, entrei de frente para ele na banheira de hidromassagem, e havia uma atmosfera diferente, pelo menos para mim. Encaixei seu membro em minha boceta, guiando-o para dentro, exatamente como no primeiro dia. "... não me erga! Deixe-me aproveitar isso!", pedi. Ele não podia ver, mas lágrimas rolavam pelo meu rosto. Jean acariciava minhas costas em movimentos circulares, um gesto carinhoso que me deixava excitada, porém, o sentimento que me envolvia anteriormente tornava impossível desfrutar desse prazer da mesma maneira.

Comecei a mover-me para cima e para baixo, no meu ritmo e na minha velocidade, procurando alcançar o orgasmo para dissipar a sensação ruim que estava sobre mim. Suas mãos me auxiliavam, assim como o calor da água. Apesar da minha orientação, ele me segurou em uma certa altura e realizou algumas penetrações que me levaram ao orgasmo rapidamente. Foi tão intenso que meus gemidos acompanharam a intensidade do momento, e consegui fazê-lo soltar-se de mim, empurrando seu membro até que mal conseguisse mais entrar em mim.

"Você é incrível, meu amor!" ele me elogiou, enquanto suas mãos percorriam meu corpo da maneira que eu adorava. "Eu te amo." Respondi com um beijo apaixonado, nossas línguas entrelaçando-se num ritmo harmonioso.

Depois que saímos do banho, nos secamos e fomos para a cama. Ele se deitou por cima de mim, o que me levou ao orgasmo antes dele. Quando ele finalmente gozou, sorri ao ver sua expressão satisfeita. Jean se deitou ao meu lado, trocamos um beijo e eu fiquei quietinha, observando-o adormecer até que ele pegasse no sono.

Fiquei olhando para ele, deitado ao meu lado, até finalmente adormecer. Quando tive certeza de que ele estava profundamente adormecido, permiti-me chorar, dirigindo-me ao banheiro para não acordá-lo. A mesma angústia que senti em Recife invadiu-me novamente, fazendo-me questionar a realidade do seu amor por mim.

Depois de me acalmar, retornei e deitei ao seu lado com cuidado, abraçando-me em seus braços, apreciando seu perfume natural e aproveitando os últimos momentos de nossa estadia em Monte Verde. "Eu te amo", declarei. Ele resmungou suavemente, quase dormindo, o que me fez sorrir brevemente.

No dia seguinte, organizamos nossas malas enquanto esperávamos o café da manhã e eu conversei com Jean sobre a conta do hotel. Não achava justo ele pagar tudo sozinho. Depois de muita insistência, ele concordou em aceitar que eu pagasse o combustível da volta. Tomamos café no chalé, como nos outros dias, mas o clima não nos permitiu ter um momento íntimo, algo que eu sabia que sentiria falta assim que partíssemos.  

Após o café e um tempo ao lado da piscina privativa, que não usamos devido ao frio, seguimos para Belo Horizonte. Embora nossa conversa estivesse animada, meus verdadeiros sentimentos estavam guardados, reservados para serem compartilhados com ele quando chegássemos à capital.

Ainda na estrada, Jean sugeriu pararmos para comer algo, mas recusei, pedindo-lhe para seguir em frente. Afinal, ainda precisava viajar de Belo Horizonte para Itabira antes de chegar em casa. A iminência da minha decisão pairava sobre nós, aguardando o momento certo para se revelar.

Ao chegarmos em Belo Horizonte, no estacionamento da sede do Conselho das Águas, saímos do carro. Decidi carregar minhas próprias malas até o meu carro, recusando a ajuda dele. "Aconteceu alguma coisa?" Ele perguntou, enquanto a tensão pairava no ar, nos preparando para nos despedir. Quando Jean se aproximou para me dar um beijo de despedida, interrompi o gesto delicadamente, sentindo a necessidade de expressar algo importante. "Espere! Preciso falar algo", disse, percebendo a surpresa em seu rosto.

Tirei a aliança do meu dedo, o símbolo de nosso breve momento de amor em Monte Verde. "Estou terminando tudo, Jean. Não sei se é a escolha certa, mas refleti bastante durante esta última noite. Você enfrenta muitos desafios, e eu tenho uma ótima oportunidade à minha frente. Poderia optar por esperar por você, mas o tempo está passando." Entreguei a aliança a ele, segurando seu rosto com ambas as mãos, e o beijei. Foi um beijo de despedida, com lágrimas quentes escorrendo por nossos rostos.

Ao me afastar, percebi que ambos chorávamos. Com tristeza nos olhos, ele perguntou: "Essa é sua decisão?" Respondi com dor no coração: "Vou escrever meu relatório para o sindicato e seguir em frente até o final da semana. Vou embora para sempre." Jean assentiu com a cabeça e, com a voz embargada, perguntou: "Não há nada que eu possa fazer?" Com a dor apertando no peito, respondi: "Siga sua vida, seja feliz, e se algum dia estivermos solitários, talvez possamos tentar novamente. Mas Renata é sua verdadeira esposa, e eu não consigo suportar a ideia de vê-lo voltar para ela..." Virei as costas, entrei no carro, liguei o motor e segui meu caminho, lançando um último olhar para ele, que estava em estado de choque.

Entre lágrimas e corações partidos, chegava ao fim a nossa história de amor, marcada por desafios e escolhas difíceis, que nos levaram por caminhos distintos. O destino, enigmático e imprevisível, aguardava para cada um o desenrolar singular de suas jornadas pessoais.

Enquanto dirigia pela estrada, imersa em pensamentos e sentimentos conflitantes, decidi buscar algo no banco do passageiro, onde minha bolsa de colo estava guardada. Foi então que minhas mãos encontraram um pedaço de papel dobrado, revelando ser uma carta da cartomante. Ao desdobrá-la, deparei-me com a imagem da carta "A Morte". Um arrepio percorreu minha espinha enquanto eu refletia sobre o significado simbólico daquela carta: o encerramento de um ciclo, o fim de uma fase para o início de outra. Era como se o universo estivesse me lembrando que, apesar da dor da despedida, havia um renascimento aguardando além do horizonte. Com um suspiro resignado, prossegui na direção, consciente de que, apesar das incertezas, o futuro reservava novas oportunidades e possibilidades para seguir adiante. De repente, lembrei claramente da voz daquela senhora dizendo: "Não acabou, lembra da cegonha?"



Continua ...

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