25 de setembro de 2024

SESSÃO DE TERAPIA | ENTRE DESEJOS E DILEMAS

Hoje um conto da Carol...
Escrito por: Carol Motta.



No dia seguinte à consulta intensa com Isabel, Dra. Lilian Barreto acordou sentindo uma mistura de alívio e ansiedade. O amanhecer trouxe uma leveza física após a noite anterior, mas a mente ainda estava em turbilhão. Ela sabia que os sentimentos e fantasias que a assombravam não desapareceriam facilmente. 

Após o café da manhã, Lilian decidiu que precisava enfrentar o dia com uma fachada de normalidade. Despediu-se do marido com um beijo suave, tentando afastar a culpa que ainda a consumia. A caminho do consultório, sua mente vagava entre as lembranças da sessão com Isabel e as suas próprias fantasias perturbadoras. Ela precisava manter o foco em seu trabalho e ajudar seus pacientes, mas era difícil ignorar os desejos que fervilhavam logo abaixo da superfície.

Ao chegar ao consultório, Lilian se preparou para um novo dia de atendimentos. A primeira paciente do dia era uma jovem mulher chamada Clara, que estava lidando com problemas de ansiedade. A terapeuta se concentrou na sessão, utilizando suas habilidades para ajudar Clara a encontrar um pouco de paz. No entanto, a imagem de Isabel continuava a rondar sua mente.

A manhã passou lentamente, cada consulta um esforço para manter a fachada profissional. Finalmente, chegou a hora do almoço. Lilian decidiu sair para caminhar, na esperança de clarear a mente. O sol brilhava intensamente, e o ar fresco parecia oferecer um breve alívio. No entanto, os pensamentos voltaram rapidamente para Isabel e suas próprias fantasias.

De volta ao consultório, Lilian se preparou para a próxima sessão. Seu paciente, João, estava lidando com problemas de relacionamento e vinha regularmente há meses. Durante a sessão, ela conseguiu se focar mais, mas as lembranças das fantasias da noite anterior ainda persistiam em sua mente. Sentiu uma onda de alívio quando a sessão terminou e se viu sozinha novamente.

No final do dia, Dra. Lilian decidiu revisar as anotações sobre Isabel. A leitura dos registros trouxe à tona todas as emoções e fantasias que ela havia tentado suprimir. As descrições dos abusos sofridos por Isabel, que deveriam evocar apenas compaixão, despertavam um desejo que Lilian não sabia como controlar.

Lilian sabia que precisava encontrar uma maneira de lidar com esses sentimentos, mas a resposta não era clara. As palavras que ela havia dito a Isabel ecoavam em sua mente: "Você encontrará alguém que te ame verdadeiramente e te faça feliz." Será que essas palavras poderiam se aplicar a ela mesma, em um contexto diferente? Será que seus desejos a estavam afastando da verdade que tanto buscava para seus pacientes?

Decidiu que, por ora, o melhor a fazer era manter-se ocupada. Fechou o consultório e dirigiu-se para casa, determinada a enfrentar mais um dia com a mesma fachada de profissionalismo. Ao entrar em casa, notou que o silêncio era reconfortante. Seu marido estava fora novamente, e ela sabia que tinha um tempo só para si.

Subiu as escadas, sentindo uma mistura de cansaço e excitação. O quarto parecia um santuário, um lugar onde ela poderia finalmente confrontar seus desejos sem medo de julgamento. Deitou-se na imensa cama, fechando os olhos e permitindo que as fantasias a envolvessem mais uma vez. Sentiu as mãos começarem a explorar seu corpo, e a mente se encheu das cenas que eram de horror para Isabel, mas que a deixavam com um imenso tesão.

Enquanto se entregava ao prazer, os dilemas éticos retornaram, mais fortes do que nunca. Ela sabia que precisava encontrar uma maneira de reconciliar esses sentimentos com sua responsabilidade profissional. O prazer era intenso, mas a culpa o seguia de perto.

Após um clímax avassalador, Lilian ficou deitada, ofegante e com o corpo trêmulo. Sabia que não podia continuar ignorando esses sentimentos. Levantou-se com passos vacilantes, ainda sob o efeito do orgasmo. Ao descer as escadas, deparou-se com seu marido, que havia chegado do trabalho.

Ele a observou com curiosidade e preocupação. "Você parece exausta. Está tudo bem?"

Lilian hesitou por um momento. "Sim, apenas um dia longo. Preciso de um tempo para mim."

Ele se aproximou, puxando-a para um abraço. "Se precisar conversar, estou aqui."

Ela retribuiu o abraço, sentindo-se confortada por sua presença. Talvez, um dia, ela encontraria uma maneira de lidar com seus desejos e a culpa que os acompanhava. Mas por agora, tudo o que podia fazer era tentar manter o equilíbrio entre seus desejos e sua realidade. E, enquanto estava nos braços de seu marido, ela permitiu-se um breve momento de paz, antes que as complexidades de sua mente voltassem a assombrá-la.

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